UM POSSÍVEL FUTURO PARA O ESPORTE NO BRASIL

     

O problema dos resultados ínfimos do esporte brasileiro em competições internacionais não se explica somente pela má qualidade de gestão dos clubes, a atuação nefasta dos agentes, a exportação de atletas sem a adequada formação, a falta de investimento nas modalidades esportivas menos representativas, entre muitos outros problemas que podemos apontar. Na minha singela opinião, o real problema é a base da pirâmide que está calcada em premissas totalmente equivocadas na medida em que não há o fomento da educação em conjunto com o esporte nas escolas e universidades.

Todos esses exemplos acima são os efeitos de uma política de governo despreocupada não só com o esporte, mas com a educação e a saúde de sua sociedade.

As politicas governamentais atuais são paliativas, tendo em vista que criam diversos tipos de projetos desconectados para supostamente fomentar o esporte tais como: Bolsa Atleta, Atleta Pódio, Programa Segundo Tempo, Lei de Incentivo ao Esporte entre outros. Por outro lado, o esporte educacional, aquele praticado nas escolas em todas as etapas do ensino, desde o fundamental até a universidade, é relegado tão somente à função de preenchimento do currículo obrigatório escolar.

Esses programas utilizados acarretam na dificuldade de identificação e desenvolvimento dos atletas, graves problemas de gestão e sub-aproveitamento dos recursos disponíveis.

Na mesma linha de raciocínio, a iniciativa privada, leia-se, as associações esportivas, recreativas, escolinhas, ou qualquer coisa que o valha, ficam com a função de formar as pessoas que se interessam pelo esporte.

Ora, se o esporte e educação são Politicas de Estado, direito de todo cidadão brasileiro, por que não promover uma restruturação de modo que o esporte seja um incentivo para toda criança ir à escola e almejar um futuro profissional através do esporte?

O que sugerimos é a criação de estrutura de financiamento das escolas, ou seja, as verbas destinadas para os projetos desconectados serão revertidos para as escolas e universidades públicas, em conjunto com a criação de competições importantes em nível estadual e federal, de diversas modalidades esportivas,

bem como fortificar o corpo docente na área de Educação Física, para estimular as competições amadoras, nos mesmos moldes em que verificamos no sistema educacional nos Estados Unidos.

No sistema americano, as crianças tem contato com diversas modalidades esportivas desde muito jovem, e na medida em que ela se destaca, durante o ensino médio, já pode ser tratada como atleta, e ato contínuo receber bolsa de estudos para jogar nas universidades.

A National Collegiate Athletic Association (NCAA) organiza os jogos universitários em diversas modalidades como baseball, basquete, boliche, box, esgrima, ginástica, atletismo e outras, e é composta por aproximadamente 1200 universidades. Os campeonatos universitários são televisionados e a renda é revertida para o esporte, pois os atletas universitários não podem ser profissionais, nem assinar contrato com clubes, portanto, não recebem salários. De outro lado, a possibilidade de fazer parte de um time universitário está intimamente ligada ao resultado da “performance” estudantil nas outras matérias do currículo escolar.

Os jogos universitários são o grande destaque, pois ótimos resultados garantirão ao atleta a sua contratação como profissional e o tão sonhado contrato com os clubes.

Desse modo, olhando somente pela ótica do futuro do desporto de alto rendimento, teríamos avanços não só na quantidade de atletas em desenvolvimento, pois todos os alunos matriculados em qualquer entidade de ensino poderiam participar, como na qualidade desses atletas, haja vista que o início da prática desportiva em idade mais jovem poderá levá-los a desenvolver melhores habilidades. Obviamente que os resultados de implantação desse tipo de politica pública só serão sentidos dentro de 20 a 30 anos, mas nunca é tarde para evoluir!

 

imagem - Tarsila Machado Alves - Blog -Elas no Blog-   

Tarsila Machado Alves– Advogada; pós-graduada em Direito Desportivo pela Escola Superior de Advocacia da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de São Paulo (ESA-OAB/SP);  membro da Comissão de Direito Desportivo da OAB/SP; Especializando-se em Gestão, Marketing e Direito no Esporte – FGV/FIFA/CIES.

Daniela Vendramini –  Advogada; membro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB, Subseção de São Paulo;  membro da Comissão de Direito Desportivo da OAB, Subseção de Campinas; Especializando-se em Gestão, Marketing e Direito no Esporte – FGV/FIFA/CIES.

 

Sobre tarsila

Tarsila Machado Alves- Advogada. Pós-graduada em Direito Desportivo pela Escola Superior de Advocacia da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de São Paulo (ESA-OAB/SP). Membro da Comissão de Direito Desportivo da OAB/SP. Especializando-se em Gestão, Marketing e Direito no Esporte – FGV/FIFA/CIES.

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